A América do Sul carrega em sua história a forte influência da colonização ibérica — espanhola e portuguesa.

No entanto, ao abrir uma garrafa de vinho por estas bandas, é comum encontrar uvas como Malbec, Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Tannat — todas uvas de origem francesa.

Como isso aconteceu?

Durante os séculos XIX e XX, diversos países da América do Sul receberam imigrantes europeus, especialmente franceses. Esses grupos trouxeram consigo técnicas modernas de cultivo e mudas de uvas que já faziam sucesso na Europa.

Argentina adotou a Malbec, trazida por Michel Aimé Pouget em 1853. Hoje, é a uva símbolo do país.

Uruguai se destacou com a Tannat, introduzida por Pascual Harriague, que encontrou no solo uruguaio condições ideais para a variedade.

Chile apostou em clássicos franceses como Cabernet Sauvignon e Carmenère, esta última redescoberta por acaso após ser confundida com Merlot por décadas.

 

Já no Brasil? Uma história diferente, mas igualmente francesa

Embora o Brasil tenha sido colonizado por Portugal, sua vitivinicultura moderna também foi moldada por imigrantes europeus — especialmente italianos e franceses — que se estabeleceram no sul do país.

As primeiras videiras chegaram com os portugueses, mas foi com os italianos, no século XIX, que a produção ganhou força, especialmente na Serra Gaúcha.

A partir do século XX, com apoio de técnicos franceses e investimentos em qualidade, o Brasil passou a cultivar uvas viníferas europeias.

Cabernet Sauvignon

 

 

Merlot

 

 

Chardonnay

 

 

Pinot Noir

 

 

O Brasil também se destaca na produção de espumantes, na maioria elaborados com uvas Chardonnay e Pinot Noir, seguindo a tradição francesa

 

E Por que não uvas espanholas ou portuguesas?

Apesar da colonização ibérica, as uvas desses países não se tornaram predominantes por alguns motivos:

  • Adaptação ao terroir: As uvas francesas se mostraram mais versáteis e produtivas nos solos e climas sul-americanos.
  • Prestígio internacional: Variedades como Cabernet Sauvignon e Chardonnay já eram reconhecidas mundialmente, facilitando a exportação.
  • Influência técnica: A França era referência em enologia, e muitos produtores buscaram replicar esse modelo.

Hoje, a América do Sul vive uma nova fase.

Há uma valorização crescente de uvas autóctones e de estilos próprios.

No Brasil, por exemplo, há pesquisas com variedades tropicais e híbridas, além de investimentos em terroirs fora do eixo sulista, como o Vale do São Francisco e Sul de Minas Gerais

Mas, ainda assim, as uvas francesas continuam sendo protagonistas
Atualmente, e não por acaso, elas são conhecidas como “as mais sul-americanas das uvas
europeias”.